Por muito tempo me calo
e sempre digo o motivo:
estou sentindo.
É mentira!
Me calo às vezes apática,
Me calo às vezes sorrindo...
Eu me calo não por ter nada a dizer,
eu me calo por não querer ser.
16 de set. de 2012
5 de mai. de 2012
De novo, (quase) tudo novo
É necessário que se arrume a casa algumas vezes por semana, não se pode deixar acumular quilos de desordem, ou tudo corre risco de desabar. No entanto, eu faço diferente: quero o limite do precipício. Vivo em meio de papéis e almofadas espalhadas, umas roupas na cadeira, umas revistas quase arrumadas embaixo de uma mesinha de canto ou centro, dependendo de como eu colocá-la. Por mais incrível que possa parecer- difícil mesmo de acreditar - eu ainda consigo encontrar tudo de que preciso para sobreviver por tempos sem ter que mexer num travesseiro mal afofado. Mas chega a hora de realocar tudo outra vez, porque para se viver à beira é preciso menos um passo para frente vez ou outra. Hoje é dia de arrumar, de mudar, de recolorir. Uma vassoura para varrer o que acumulou de alérgica poeira, um copo d`água que preenche qualquer vazio desnecessário, algumas novas etiquetas para os outros tantos papéis que se juntaram e muito lixo para fora. Pronto: o início de um recomeço desses não traçados, afinal, marcar trilha tão bem definida não me parece saudável.
1 de dez. de 2011
Vitória silenciosa
No quarto ao lado ele se encontra, enquanto a gente brinca de valorizar orgulhos em cômodos diferentes.
É o meu silêncio versos o dele, e ninguém segura o riso com tanta preciosidade como eu - a não ser ele, que não escuto, mas acho que dorme.
Aproveito para falar sozinha, enquanto ventilador é o único a se manifestar em casa (está um calor danado).
Mas o próprio silêncio me contagia, meu riso calado se intensifica...
Opa, fui chamada!
Ganhei. Hihi...
É o meu silêncio versos o dele, e ninguém segura o riso com tanta preciosidade como eu - a não ser ele, que não escuto, mas acho que dorme.
Aproveito para falar sozinha, enquanto ventilador é o único a se manifestar em casa (está um calor danado).
Mas o próprio silêncio me contagia, meu riso calado se intensifica...
Opa, fui chamada!
Ganhei. Hihi...
17 de set. de 2011
Três linhas sérias
Se-ri-e-da-de.
A própria palavra é séria, não há saída - ela se determina.
Seriedade já é demasia.
8 de set. de 2011
Eu perdi o poema.
Era verde fresco (início de tarde em mato), quando me dei conta de que perdi o poema que melhor me retratava - ou, pelo menos, eu acreditei retratar. Não sei se a condição foi propícia para meu estalo mental, afinal, a frescura do ar nada tem interferido na minha mente, senão a esvaziado. Porém, o fato foi de que a percepção da falta do meu poema serviu de impulso para eu rever o que eu mesma considerei bonito e fundamental para mim.
Em meio de autocríticas tão rígidas, reconheci no poema uma coisa tão íntima e sincera, e nem hesitei ao declarar gostar do que expressei e como o fiz - atitude arriscada e rara.
Agora me parece fácil e falso eu dizer que o poema era bonito, uma vez que ele não mais existe. Será que eu acredito agora que ele era mesmo bom? Agora, faz diferença ele ter me descrito em tamanha perfeição? Agora, sem mais poema, logo o meu poema...
O verde já foi engolido pelo preto abafado (noite sem lua - ao meu alcance), e o poema já está além do distante. A bafo negro de nada interfere no meu sentimento, senão no sentido, quente.
Eu perdi o poema.
E eu?
Era verde fresco (início de tarde em mato), quando me dei conta de que perdi o poema que melhor me retratava - ou, pelo menos, eu acreditei retratar. Não sei se a condição foi propícia para meu estalo mental, afinal, a frescura do ar nada tem interferido na minha mente, senão a esvaziado. Porém, o fato foi de que a percepção da falta do meu poema serviu de impulso para eu rever o que eu mesma considerei bonito e fundamental para mim.
Em meio de autocríticas tão rígidas, reconheci no poema uma coisa tão íntima e sincera, e nem hesitei ao declarar gostar do que expressei e como o fiz - atitude arriscada e rara.
Agora me parece fácil e falso eu dizer que o poema era bonito, uma vez que ele não mais existe. Será que eu acredito agora que ele era mesmo bom? Agora, faz diferença ele ter me descrito em tamanha perfeição? Agora, sem mais poema, logo o meu poema...
O verde já foi engolido pelo preto abafado (noite sem lua - ao meu alcance), e o poema já está além do distante. A bafo negro de nada interfere no meu sentimento, senão no sentido, quente.
Eu perdi o poema.
E eu?
12 de jun. de 2011
Encontrado sempre no mesmo ponto, respondendo a acenos, a discretos e frios cumprimentos de quem ainda tem pena: "oi", "e aí, Gentinho", "hm...". Gentinho, pequeno em nome, maldito em vida, é gente pequena mesmo e ainda menino, abandonado por todos, lembrado quando está como obstáculo, bem no meio do caminho - mas longe de ser pedra Drummondiana, que não merece (não suporta) ter tanta (falsa) relevância.
Gentinho não sonha com quando crescer, que não tem perspectiva nem inspiração, mas não deixa de estar atento à vida, ou a sua morte próxima. Observa os homens, fugazes, que passam em passadas largas e ininterrompíveis por sua cabeça, não permitindo que reconheça cada rumo, sendo só via de quem está meramente de passagem. No que vê, em nada se percebe, estar ou não estar, ser ou não ser, sem questão alguma, é obsoleto. Os questionamentos não lhe servem, talvez nem os saiba fazer.
Existência é querer demais para o pequeno fodido menino, que não sonha, não come, não vive em vida. E como ambição não lhe cabe - tão gentinha -, retira-se como atravanco deixando o caminho livre da culpa pecaminosa de quem fazia que não via o indigno no canto, sem nada, sozinho.
Gentinho não sonha com quando crescer, que não tem perspectiva nem inspiração, mas não deixa de estar atento à vida, ou a sua morte próxima. Observa os homens, fugazes, que passam em passadas largas e ininterrompíveis por sua cabeça, não permitindo que reconheça cada rumo, sendo só via de quem está meramente de passagem. No que vê, em nada se percebe, estar ou não estar, ser ou não ser, sem questão alguma, é obsoleto. Os questionamentos não lhe servem, talvez nem os saiba fazer.
Existência é querer demais para o pequeno fodido menino, que não sonha, não come, não vive em vida. E como ambição não lhe cabe - tão gentinha -, retira-se como atravanco deixando o caminho livre da culpa pecaminosa de quem fazia que não via o indigno no canto, sem nada, sozinho.
10 de jun. de 2011
4 de jun. de 2011
Vou envolvê-lo em meus braços, aproximá-lo de meu colo quente, dispondo de uma canção de ninar para apaziguar todo e qualquer incômodo. Dê-me seus dissabores, que o azedo quer suavizar.
Assuma-se criança outra vez, para lamentar a dor sem resistência, livrando-se quase que instantaneamente dos monstros debaixo da sua cama com apenas o meu abraço e cheiro.
Queira-me para consolo, quero ser o seu conforto.
Assuma-se criança outra vez, para lamentar a dor sem resistência, livrando-se quase que instantaneamente dos monstros debaixo da sua cama com apenas o meu abraço e cheiro.
Queira-me para consolo, quero ser o seu conforto.
16 de mai. de 2011
Boa noite
A noite de sexta-feira parecia não querer chegar: o trânsito atrapalhava o tempo, a sede embrulhava o estômago. Música! Música faria o tempo passar despercebido, tudo correria em ritmo. Som ligado, luz acesa, automatizando movimentos de distração - passa, tempo. Quando já embalada por canções, estava pronta; sua dança suavizou, seu passos receberam outros passos, que juntos se encaminharam para a vida de sexta.
O caminho que seguiram - para a embriaguez (em qualquer sentido) - foi certo e devagar, o tempo aconteceu direito. Gradativamente cada letra pronunciada subia um tom, o riso começava a gritar, a seriedade a cair (fingiram cair), até que tudo parecia levitar.
A sexta não quis acabar, levando sábado adiante. De passo a toque, de toque a passo, tornaram-se despedida nada querida. Domingo ficou desejoso de sexta, garantindo último passo de boa noite para um sono tranquilo.
Boa noite, sonhe com...
Isso.
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