Eu preciso de um poeminha
para contar meu coração
coisa simples, pequenina
feito um samba-canção
24 de abr. de 2013
23 de jan. de 2013
A imagem de um homem esticado no chão, com os braços ao longo do corpo, as pernas esticadas - estando uma cruzada pela outra -, de bruços, completada com uma poça de sangue precisamente ao lado de seu pescoço é, no mínimo, incômoda. A cara de espanto de quem, subitamente, teve tal imagem passada por seus olhos é esperada. Mas não desta vez. Não houve espanto, ou mesmo incômodo. A poça vermelha, vinho, quase bordô, estava vivamente posicionada e sua forma levantando a dúvida da possibilidade de alguém realmente sangrar com tanta perfeição. Sangrou com perfeição. O corpo estava lindamente pousado, o sangue derramado estava simplesmente perfeito. Por instante, pensaria que o homem só descansava e o sangue era só uma mancha bem feita por quem já pintou por ali. Ele, cansando, e a mancha, tão bonita, parecia aconchegante para os ossos relaxarem. Ninguém morre com tanta precisão. Alguém ainda vai dizer que ao verem o rapaz espatifado, não acharam digno deixar as tripas estouradas aparecendo. Era melhor que ajeitassem-no e limpassem o borrão, mantendo somente a quantidade exata de vermelho, vinho, quase bordô, para uma morte organizada. Ele não morreu bonito, ele foi arrumado, insistiriam. Se houvesse um olho presenciado o acidente - se foi acidente -, poderia dizer que ele morreu como se morre aquele que faz arte com o próprio cadáver, que faz poesia com a falta de alma, que tem porte para ser morto enquadrado. Por enquanto, ele só sangrou com perfeição.
16 de set. de 2012
Falo sendo, calo...
Por muito tempo me calo
e sempre digo o motivo:
estou sentindo.
É mentira!
Me calo às vezes apática,
Me calo às vezes sorrindo...
Eu me calo não por ter nada a dizer,
eu me calo por não querer ser.
e sempre digo o motivo:
estou sentindo.
É mentira!
Me calo às vezes apática,
Me calo às vezes sorrindo...
Eu me calo não por ter nada a dizer,
eu me calo por não querer ser.
5 de mai. de 2012
De novo, (quase) tudo novo
É necessário que se arrume a casa algumas vezes por semana, não se pode deixar acumular quilos de desordem, ou tudo corre risco de desabar. No entanto, eu faço diferente: quero o limite do precipício. Vivo em meio de papéis e almofadas espalhadas, umas roupas na cadeira, umas revistas quase arrumadas embaixo de uma mesinha de canto ou centro, dependendo de como eu colocá-la. Por mais incrível que possa parecer- difícil mesmo de acreditar - eu ainda consigo encontrar tudo de que preciso para sobreviver por tempos sem ter que mexer num travesseiro mal afofado. Mas chega a hora de realocar tudo outra vez, porque para se viver à beira é preciso menos um passo para frente vez ou outra. Hoje é dia de arrumar, de mudar, de recolorir. Uma vassoura para varrer o que acumulou de alérgica poeira, um copo d`água que preenche qualquer vazio desnecessário, algumas novas etiquetas para os outros tantos papéis que se juntaram e muito lixo para fora. Pronto: o início de um recomeço desses não traçados, afinal, marcar trilha tão bem definida não me parece saudável.
1 de dez. de 2011
Vitória silenciosa
No quarto ao lado ele se encontra, enquanto a gente brinca de valorizar orgulhos em cômodos diferentes.
É o meu silêncio versos o dele, e ninguém segura o riso com tanta preciosidade como eu - a não ser ele, que não escuto, mas acho que dorme.
Aproveito para falar sozinha, enquanto ventilador é o único a se manifestar em casa (está um calor danado).
Mas o próprio silêncio me contagia, meu riso calado se intensifica...
Opa, fui chamada!
Ganhei. Hihi...
É o meu silêncio versos o dele, e ninguém segura o riso com tanta preciosidade como eu - a não ser ele, que não escuto, mas acho que dorme.
Aproveito para falar sozinha, enquanto ventilador é o único a se manifestar em casa (está um calor danado).
Mas o próprio silêncio me contagia, meu riso calado se intensifica...
Opa, fui chamada!
Ganhei. Hihi...
17 de set. de 2011
Três linhas sérias
Se-ri-e-da-de.
A própria palavra é séria, não há saída - ela se determina.
Seriedade já é demasia.
8 de set. de 2011
Eu perdi o poema.
Era verde fresco (início de tarde em mato), quando me dei conta de que perdi o poema que melhor me retratava - ou, pelo menos, eu acreditei retratar. Não sei se a condição foi propícia para meu estalo mental, afinal, a frescura do ar nada tem interferido na minha mente, senão a esvaziado. Porém, o fato foi de que a percepção da falta do meu poema serviu de impulso para eu rever o que eu mesma considerei bonito e fundamental para mim.
Em meio de autocríticas tão rígidas, reconheci no poema uma coisa tão íntima e sincera, e nem hesitei ao declarar gostar do que expressei e como o fiz - atitude arriscada e rara.
Agora me parece fácil e falso eu dizer que o poema era bonito, uma vez que ele não mais existe. Será que eu acredito agora que ele era mesmo bom? Agora, faz diferença ele ter me descrito em tamanha perfeição? Agora, sem mais poema, logo o meu poema...
O verde já foi engolido pelo preto abafado (noite sem lua - ao meu alcance), e o poema já está além do distante. A bafo negro de nada interfere no meu sentimento, senão no sentido, quente.
Eu perdi o poema.
E eu?
Era verde fresco (início de tarde em mato), quando me dei conta de que perdi o poema que melhor me retratava - ou, pelo menos, eu acreditei retratar. Não sei se a condição foi propícia para meu estalo mental, afinal, a frescura do ar nada tem interferido na minha mente, senão a esvaziado. Porém, o fato foi de que a percepção da falta do meu poema serviu de impulso para eu rever o que eu mesma considerei bonito e fundamental para mim.
Em meio de autocríticas tão rígidas, reconheci no poema uma coisa tão íntima e sincera, e nem hesitei ao declarar gostar do que expressei e como o fiz - atitude arriscada e rara.
Agora me parece fácil e falso eu dizer que o poema era bonito, uma vez que ele não mais existe. Será que eu acredito agora que ele era mesmo bom? Agora, faz diferença ele ter me descrito em tamanha perfeição? Agora, sem mais poema, logo o meu poema...
O verde já foi engolido pelo preto abafado (noite sem lua - ao meu alcance), e o poema já está além do distante. A bafo negro de nada interfere no meu sentimento, senão no sentido, quente.
Eu perdi o poema.
E eu?
12 de jun. de 2011
Encontrado sempre no mesmo ponto, respondendo a acenos, a discretos e frios cumprimentos de quem ainda tem pena: "oi", "e aí, Gentinho", "hm...". Gentinho, pequeno em nome, maldito em vida, é gente pequena mesmo e ainda menino, abandonado por todos, lembrado quando está como obstáculo, bem no meio do caminho - mas longe de ser pedra Drummondiana, que não merece (não suporta) ter tanta (falsa) relevância.
Gentinho não sonha com quando crescer, que não tem perspectiva nem inspiração, mas não deixa de estar atento à vida, ou a sua morte próxima. Observa os homens, fugazes, que passam em passadas largas e ininterrompíveis por sua cabeça, não permitindo que reconheça cada rumo, sendo só via de quem está meramente de passagem. No que vê, em nada se percebe, estar ou não estar, ser ou não ser, sem questão alguma, é obsoleto. Os questionamentos não lhe servem, talvez nem os saiba fazer.
Existência é querer demais para o pequeno fodido menino, que não sonha, não come, não vive em vida. E como ambição não lhe cabe - tão gentinha -, retira-se como atravanco deixando o caminho livre da culpa pecaminosa de quem fazia que não via o indigno no canto, sem nada, sozinho.
Gentinho não sonha com quando crescer, que não tem perspectiva nem inspiração, mas não deixa de estar atento à vida, ou a sua morte próxima. Observa os homens, fugazes, que passam em passadas largas e ininterrompíveis por sua cabeça, não permitindo que reconheça cada rumo, sendo só via de quem está meramente de passagem. No que vê, em nada se percebe, estar ou não estar, ser ou não ser, sem questão alguma, é obsoleto. Os questionamentos não lhe servem, talvez nem os saiba fazer.
Existência é querer demais para o pequeno fodido menino, que não sonha, não come, não vive em vida. E como ambição não lhe cabe - tão gentinha -, retira-se como atravanco deixando o caminho livre da culpa pecaminosa de quem fazia que não via o indigno no canto, sem nada, sozinho.
10 de jun. de 2011
4 de jun. de 2011
Vou envolvê-lo em meus braços, aproximá-lo de meu colo quente, dispondo de uma canção de ninar para apaziguar todo e qualquer incômodo. Dê-me seus dissabores, que o azedo quer suavizar.
Assuma-se criança outra vez, para lamentar a dor sem resistência, livrando-se quase que instantaneamente dos monstros debaixo da sua cama com apenas o meu abraço e cheiro.
Queira-me para consolo, quero ser o seu conforto.
Assuma-se criança outra vez, para lamentar a dor sem resistência, livrando-se quase que instantaneamente dos monstros debaixo da sua cama com apenas o meu abraço e cheiro.
Queira-me para consolo, quero ser o seu conforto.
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